domingo, junho 02, 2019

Tabagismo: 10 perguntas e respostas sobre o vício em nicotina


Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), fumar é o principal fator de risco para o câncer de pulmão. Em 2018, foram registrados 31.270 casos novos da doença e em 2015, conforme o Atlas de Mortalidade por Câncer, 26.498 pessoas morreram em decorrência do tumor pulmonar.
A farmacêutica Luciana de Araújo Squitino, responsável pelo grupo de combate ao tabagismo da UBS Alto da Riviera, barro da cidade de São Pulo, sanou algumas dúvidas sobre o tema. Segundo a especialista, o vício em nicotina, seja ela no cigarro, no fumo ou no cachimbo, está muito relacionado às associações comportamentais que a pessoa faz com o hábito de fumar.
Confira abaixo dez perguntas e respostas sobre o tabagismo.
O que é tabagismo?
É a dependência do tabaco, seja ele de qualquer forma: cigarro, fumo ou cachimbo.
Quais são os sintomas do tabagismo?
Pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a nicotina é uma droga psicoativa, então causa dependência conforme vai sendo utilizada. Ninguém fica dependente com um cigarro. No tabagismo, a dependência vem do hábito. Não é dependência em si, mas associações de comportamento na sua rotina. Uma pessoa tabagista começa a fumar cigarro e tomar café; ao longo do tempo, percebe que não toma mais café sem acender o cigarro, vai fazendo associações de comportamento.
Existem também sintomas da abstinência, quando a pessoa tenta parar de fumar e vem a fissura (desejo compulsivo). Ela começa a se sentir mal, tem interferência no sistema nervoso. Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas, em geral, são irritabilidade, agressividade e fissura. Algumas pessoas relatam alteração do sono e algumas têm indisposição gástrica.
Quais são as consequências do tabagismo?
O cigarro causa diversas doenças, não só câncer de pulmão. Entre elas estão as doenças cardiovasculares - como enfarte, angina, acidente vascular cerebral - e outras doenças pulmonares, como bronquite e enfisema.
Quanto tempo um fumante leva para ter câncer?
Tem pessoas que fumam a vida inteira e não desenvolvem câncer. Há a questão de ter ou não ter predisposição para desenvolver a doença. Não da para dizer que todo fumante vai enfartar, mas o tabagismo aumenta a chance de acontecer.
O cigarro eletrônico pode causar dependência?
O vício está ligado ao comportamento. Enquanto estiver com o cigarro eletrônico, vai ser difícil desvincular o hábito do comportamento diário. Tem pessoas que colocam nicotina para diminuir a fissura. Mas é muito controverso ainda falar sobre ele. Não há estudos sobre esse cigarro eletrônico e no Brasil não é permitido, a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] não liberou a comercialização. Não sugiro um [cigarro comum] pelo outro [eletrônico]. Quem utiliza nicotina continua na dependência. O uso dele não está isento de trazer problemas para saúde.
Os tipos de cigarro influenciam na dependência?
Teoricamente, a versão light apresenta menos nicotina. Então a pessoa pode viciar um pouco menos. O cigarro com filtro vermelho tem porcentagem maior de nicotina [então viciaria mais rápido]. Cada tipo de fumo tem sua porcentagem de nicotina, e isso interfere da dependência.
Quanto tempo demora para se viciar em cigarro?
Cada organismo é único. Tem pessoas que vão começar fumando mais e outros menos; uns conseguem manter [uma média de] dois, três cigarros por dia e outros vão aumentando. Quanto tempo isso demora para desenvolver dependência é muito comportamental: varia ao que ela associa na vida, nível de estresse, motivos que levam a fumar. É muito relativo.
Qual é o tratamento para o tabagismo?
Na rede pública, O Ministério da Saúde, por meio do Inca, criou o programa nacional de controle de tabagismo e uma das premissas é a oferta gratuita de tratamento para o dependente de tabaco na atenção básica. Para participar do grupo de tratamento, a pessoa deve procura a unidade de saúde mais próxima e se inscrever. Apesar de ser em grupo, a avaliação e o tratamento são individuais. Quando a pessoa entra, fazemos avaliação clínica, avaliação do grau de motivação, nível de dependência, se existe ou não comorbidades e se tem indicação de apoio medicamentoso.
São três meses de tratamento. No primeiro, são quatro sessões, uma por semana, em que o dependente entende como fuma e como isso afeta a saúde, fala dos primeiros dias sem fumar, dos benefícios de parar, e sobre como vencer os obstáculos. No segundo mês, os encontros são quinzenais e, no último mês, um encontro. No segundo e no terceiro mês, os grupos são de manutenção - para ver se a pessoa permanece sem fumar, quais são as dificuldades.
Nesses grupos, a abordagem é cognitiva comportamental, em que se entende que fumar é comportamento aprendido, reforçado diariamente, e mantido por situações emocionais diárias. Não indicamos que a pessoa só pare de fumar, mas que desenvolva um novo comportamento e habilidade para lidar com situações do dia, reconhecer quando está disposta para recaídas.
Tem apoio medicamentoso, mas não é indicado para todas as pessoas porque tem efeitos colaterais, pode haver reação medicamentosa com outros remédios. São duas opções: reposição de nicotina feita com adesivos de nicotina, que fica sendo liberada no organismo e diminui a sensação de falta da substância, e antidepressivo, que auxilia na minimização dos sintomas.
Tabagismo tem cura ou sempre há chances de recaída?
Depois de dois anos sem fumar, a pessoa é considerada não fumante. Não dá para dizer que nunca mais vai fumar na vida. Tem a ver com comportamento. Depois desse tempo de dois anos, dificilmente ela vai querer voltar porque entende o que isso representa.
Como ajudar um dependente de nicotina?
Como parar de fumar depende da vontade da pessoa, não dá para ser um tratamento forçado. No SUS, há muita divulgação dos grupos por meio das agentes de saúde e existem muitas campanhas. Hoje, não tem mais propaganda de cigarro na televisão, não se pode fumar em qualquer lugar, e isso já faz perceber que fumar não é tão aceitável nem saudável. As pessoas podem sinalizar de que existe um grupo que ajuda nesse tratamento, mas a conscientização é pessoal.

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